Avançar para o conteúdo principal

"Treinador que ideias tem para eu melhorar enquanto jogador?"



Olá caro leitor!

Semana em cheio esta, onde tive a possibilidade de fazer uma das coisas que mais me apaixona no meu trabalho - ter a oportunidade de partilhar o que faço com pessoas do desporto! - Sejam treinadores, atletas, psicólogos, coach's ou dirigentes!

Para mim é um privilégio ser convidado para eventos onde posso expor o meu conhecimento, experiências, e claro está "beber" de todos os que nela participam ativa ou passivamente.

Fui convidado pelo Coach e Autor Alcino Rodrigues para participar no 2º Fórum "Treinar o Treinador", que teve lugar no auditório da junta de Freguesia de Paranhos no dia 1 de Maio. Desafio logicamente e honradamente aceite.

Pensei um pouco sobre que contributo poderia dar aos treinadores na minha intervenção e logo pensei nos pilares que orientam as funções do líder - Produtividade, Ambiente de Grupo e Desenvolvimento do Atleta! - Avancei por aí e de facto foi 1h15min em que se falou de liderança, do treinador, de exemplos práticos da minha experiência no terreno e na dos participantes, na importância da capacidade de influenciar por parte do treinador... mas acima de tudo falámos de desporto, do dia a dia, do treino e do jogo! Fantástico. Obrigado Alcino Rodrigues pelo convite!

Uma palavra também para os meus colegas de mesa, João Oliveira, António Fidalgo, Vitor Santos e Érica Monteiro por proporcionarem momentos de reflexão em contextos de equipas desportivas e em todos os seus quadrantes... do departamento clinico ao papel dos pais no desporto. Grande dia!!

"Mister que ideias tem para eu melhorar enquanto jogador?" Da formação aos seniores, esta é uma das funções fundamentais do treinador no decorrer de uma época desportiva. Para além de ter de produzir rendimento, ou seja, promover evolução na equipa e com eles os resultado pretendidos e ter de desenvolver estratégias para promover um bom ambiente de grupo, é determinante que o treinador desenvolva o próprio atleta, o faça acrescentar habilidades e tornar-se um jogador mais completo e consistente.

Este desenvolvimento do atleta dentro da equipa/clube refere-se á promoção do estado motivacional de cada elemento. Quando um treinador trabalha esta dimensão de forma apropriada, os atletas apresentam a tendência para apresentarem continuamente níveis mais altos de energia positiva (atitude desafiadora, lembram-se?). Mostrando níveis mais altos de adesão ao treino diário.

E sim, falei de adesão ao treino e não participação! E será que há diferenças entre estes dois conceitos? Há pois!











Adesão -  refere-se á participação comportamental e sentimental do atleta no processo, isto é, o atleta está totalmente envolvido com o projeto desportivo em que está a participar, sentido que com a aplicação dos conteúdos de treino irá evoluir e ter oportunidades de crescimento enquanto atleta. Aqui o atleta dá os 100%!

Participação - Presença e aplicação meramente comportamental. Isto é, o atleta está fisicamente no treino e participa nos seus conteúdos. Porém, como tem uma total ausência de pistas para melhorar o seu rendimento não se envolve sentimentalmente com o projeto desportivo. Aqui dificilmente o atleta dá os 100%.

Para que o atleta adira então por completo ao planeamento de treino, o treinador apresenta um papel fundamental, tendo de ser ele o principal responsável por saber como motivá-lo, tendo sempre na cabeça duas palavras-chave: 
Visão

Para conduzir o atleta para elevados níveis de energia positiva na aplicação aos conteúdos a aplicar no decorrer da época, o treinador deve mostrar de uma forma clara e objetiva qual será o trajeto que irá percorrer na equipa e todo o processo que implicará para esse crescimento. Desta forma:

  • A visão de carreira do atleta não deve ser imposta pelo treinador;

  • Deve ser estabelecida numa parceria treinador-atleta, promovendo assim maior compromisso do atleta neste seu processo de crescimento na equipa;

  • A visão inclui objetivos de performance (comportamentos, atitudes e habilidades) e de resultado (nº de golos);

  • O treinador deve ter em conta, não apenas as melhorias comportamentais (papel e ações dentro do campo), mas também  no que confere á atitude e emoções.

  • Este processo deve ter como base a avaliação (comportamentos a manter, consolidar, acrescentar e eliminar) e o permanente feedback de direção para as ações pretendidas.



Oportunidade:

A oportunidade dada pelo treinador é o suporte de atitude mais próximo da manutenção do trajeto da visão de carreira por parte do atleta. Pode-se considerar que é o motor que permite o atleta manter o desejo de evoluir enquanto atleta e enquanto elemento dentro da equipa. 

Imaginemos um cenário em que o treinador, após a pré-época, delineou com o Avançado centro da sua equipa, vindo da equipa B uma visão de carreira de saltar para titular no final da época desportiva (visto o avançado titular estar a ser alvo de muita cobiça de mercado e o clube necessitar de vender), sendo que o primeiro passo era ter uma oportunidade a titular na Taça da Liga. Estes são os objetivos de resultado... A tal visão de futuro!

Vamos então aos objetivos de performance... ou seja, aos aspetos comportamentais, que me vão fazer com que o atleta acrescente comportamentos, habilidades e atitudes. Bem, o treinador e o atleta definiram (após avaliação objetiva do treinador), que para alcançar os resultados estabelecidos era essencial o atleta consolidar os movimentos de costas para a baliza e de rotura e eliminar frustrações após um remate falhado, pois este aspeto desconcentra-o da tarefa.

Programa de desenvolvimento individual construído, o atleta encontra-se a dar tudo nos microciclos de trabalho, integrando também sessões de Psicologia do Desporto, porém chega ao jogo da Taça da Liga e continua no banco, não lhe sendo dada a oportunidade. (apresentando este cenário um continuum no tempo)

São estes fatores, de ausência de oportunidade e de falta de honestidade com o que foi planeado para o desenvolvimento individual do atleta, que o irá afastar da visão que tinha para o seu crescimento dentro do projeto. E não é isto que nós como elementos da equipa técnica pretendemos, pois terá efeito no rendimento do atleta e consequentemente na qualidade da tarefa coletiva e social de todo o grupo.

Por isso, palavras-chave para o treinador fazer um atleta melhorar as suas habilidades, comportamentos e atitudes?











  • Visão
  • Oportunidade/honestidade
Vamos então tornar este enquadramento num programa de desenvolvimento individual do atleta:

A base: O processo de crescimento do atleta, deve ser estabelecido em conjunto com o próprio e não imposto pelo treinador;

A abordagem: Individual para definição da visão de carreira; e individual para avaliações periódicas com recurso a áudio visual se possível.

Atleta: Avançado Centro, vindo da equipa B esta época;

Visão de Carreira:

        - Objetivos de Resultado: Atingir a titularidade na próxima época; sendo a primeira fase ser titular no próximo jogo da taça da liga (falta 1 mês e 2 semanas);

        - Objetivos de Desempenho: Melhorar posicionamento costas para a baliza e eliminar frustrações após remate falhado;

Ferramentas: Treino Individual, Treino Coletivo e Sessões de Psicologia do Desporto.

Á atenção do treinador: Permanente feedback diretivo



Caro leitor,

Até breve!





Comentários

Mensagens populares deste blogue

Um Exemplo de Identidade com Margem de Progressão Emocional.

Acerca desta reflexão sobre a equipa do FC. Porto devo tomar desde logo esta nota prévia. Toda a análise desenvolvida tem em consideração a minha opinião pessoal vista de uma forma dissociada, ou seja, não estando no contexto, não vendo os treinos e não conhecendo o dia a dia de trabalho desta equipa. Porém, será sempre uma análise vista com a minha lente… aquela lente que me leva sempre para a minha profissão, a Psicologia do Desporto. O início de época garantidamente que terá sido um desafio para a estrutura técnica da equipa. Sérgio Conceição foi recebendo os atletas a conta gotas, numa fase onde o foco do trabalho já deve estar na aquisição do modelo de jogo, em conhecer os atletas e ajustar os papeis que cada um iria ter, àquilo que o treinador pretende para a sua equipa e ao mesmo tempo passar os valores, regras e princípios que assentam um balneário fortemente liderado pelo seu traço de personalidade vincado. Chegaram a conta gotas, mas chegaram com rótulo de qu...

Preparamos o Jogo. Mas Será que nos Preparamos para o Jogo?

Olá caro leitor, O aproximar da ciência ao desporto fez com que as variáveis que envolvem a preparação do jogo fossem cada vez mais alvo de observação, análise, recolha e monitorização. A ciência sem sombra de dúvida desenvolveu o contexto desportivo e toda a forma como nele se trabalha, auxiliando as equipas técnicas quer na preparação do plano de competição de um contexto específico (o jogo contra o adversário X), quer o desenvolvimento das habilidades e comportamentos dos atletas e da produtividade da equipa. Para além da recolha de informação tão útil para o processo de construção do treino e preparação do jogo, temos o trabalho transdisciplinar. O tal trabalho onde várias áreas da ciência (Nutrição, Fisioterapia, Psicologia…), incorporam as suas valências e desenvolvem programas trabalho complementares extremamente uteis para os acontecimentos de uma época desportiva. As ferramentas que estas áreas associadas ao treino incorporam são de facto uma mais va...

Comunicar com Método - Envolver, Estabilizar e Produzir!

Olá caro leitor! No decorrer de um curso que desenvolvi na minha área profissional - A Psicologia de Alto Rendimento Desportivo - fui desafiado, através de um trabalho individual a resolver o caso de Fernando Marqués, atleta do Clube Villa Alpina. Marqués entrou na equipa já a época ia a meio e acabou por ser um elemento determinante no alcance dos objetivos propostos. Ou seja, o seu nível de produtividade foi elevado, dentro das tarefas e do papel que lhe era solicitado. Um craque que correspondeu dentro de campo. Porém, fora das quatro linhas, a adesão a outras atividades de treino eram reduzidas (nutrição, psicologia, treino funcional…). Também no balneário o seu comportamento não era o mais ajustado, mantendo-se fora das atividades do grupo e inclusive do cumprimento das regras que na fase inicial da época foram estabelecidas por todos os elementos da equipa técnica e atletas. Em suma, a situação que está em risco para esta nova época é sem duvida a estabilidade de...